O padrasto pode registrar o enteado como filho e incluir o sobrenome sem apagar o pai biológico?
- Dr. Roberto Ponath OAB/RS 109.507

- há 17 horas
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Sim, o ordenamento jurídico brasileiro reconhece formalmente a paternidade socioafetiva, autorizando a inclusão do nome do padrasto e dos avós no registro civil sem remover o pai biológico. A recente decisão da Vara da Família de Jaraguá do Sul (TJ-SC) aplicou a tese da multiparentalidade, assegurando direitos de herança, pensão alimentícia e nome para adolescentes criados por oito anos.
Reconhecimento da Paternidade Socioafetiva: A posse do estado de filho e a convivência diária garantem a formalização jurídica do vínculo no registro civil.
Manutenção da Multiparentalidade: A inclusão do pai socioafetivo não exclui o pai biológico, mantendo todos os direitos e deveres de ambas as partes.
Inclusão do Sobrenome e Direitos: A averbação garante o uso do sobrenome da família e assegura direitos sucessórios em relação a ambos os pais.

O amor paternal construído no dia a dia da convivência merece o mesmo amparo legal e o reconhecimento formal concedido aos laços de sangue. Quando o afeto se consolida com o tempo, a Justiça permite registrar essa verdade na certidão do filho.
O padrasto que cria o enteado tem direito de ser reconhecido como pai?
O padrasto possui total respaldo legal para requerer o reconhecimento da paternidade socioafetiva quando exerce o papel paterno de forma pública e contínua. Com base na tese do Tema 622 do STF, a posse do estado de filho possui o mesmo valor jurídico da filiação biológica. Demonstrada a intenção mútua e o afeto consolidado no ambiente familiar, o Poder Judiciário determina a inclusão no registro civil para alinhar os documentos oficiais à realidade vivida pelos jovens.
A inclusão do pai socioafetivo retira o pai biológico da certidão de nascimento?
A declaração da paternidade socioafetiva não resulta no cancelamento do nome do pai biológico dos registros do filho. A Justiça brasileira adota o princípio da multiparentalidade, permitindo o registro simultâneo de dois pais ou duas mães na certidão de nascimento. Essa medida preserva a origem genética da pessoa ao mesmo tempo em que protege juridicamente os laços de afeto construídos ao longo da vida.
Quais são os requisitos legais para pedir a paternidade socioafetiva na Justiça?
A comprovação do vínculo afetivo, a demonstração pública do tratamento como filho e o livre consentimento das partes formam a base da ação declaratória. Além do tempo de convivência sob o mesmo teto, o juiz determina uma estudo técnico em que a avaliação psicológica analisa a estabilidade do laço familiar. A manifestação do Ministério Público reforça o processo para garantir a proteção integral do desenvolvimento dos filhos.
O filho registrado por paternidade socioafetiva tem direito à herança dos dois pais?
O reconhecimento da multiparentalidade concede ao filho o direito pleno e irrestrito à herança de ambos os pais registrados. Ao ter os nomes averbados em cartório, o jovem passa a figurar como herdeiro necessário tanto do pai socioafetivo quanto do biológico. O artigo 1.596 da Constituição impede qualquer distinção discriminatória entre filhos na hora da partilha de bens.
É possível incluir os nomes dos avós socioafetivos e o sobrenome na certidão?
A sentença procedente autoriza a inclusão imediata do sobrenome da família e dos dados dos avós paternos socioafetivos. Após o trânsito em julgado no Tribunal de Justiça, expede-se o mandado de averbação para o Cartório de Registro Civil. A alteração garante a adequação da identidade social e a inclusão completa da ancestralidade socioafetiva na documentação do jovem.
Como o parecer do Ministério Público e a perícia psicológica influenciam o processo?
A avaliação psicológica atua como o principal elemento probatório para atestar a veracidade e a espontaneidade do afeto familiar. O estudo pericial analisa a rotina doméstica, a ausência de pressões externas e a maturidade da relação paternal. Com base nos relatórios do perito, o Ministério Público emite seu parecer conclusivo para resguardar o melhor interesse dos adolescentes envolvidos.
A Visão Técnica do Advogado Especialista: Dr. David Jacob, especialista em Direito de Família e Sucessões, sócio fundador do Escritório Martins Jacob & Ponath Sociedade de Advogados
Vejo de perto no escritório as angústias de famílias que enfrentam o desgaste de ter o afeto colocado em dúvida por barreiras burocráticas. No escritório, a constatação é clara: além do carinho paternal, a urgência surge na reclamação do cliente quando o padrasto não consegue autorizar um procedimento médico, incluir o enteado no plano de saúde ou garantir a segurança do filho no futuro por falta do nome no documento. Atendendo presencialmente em Novo Hamburgo e Igrejinha, e prestando consultoria jurídica em todo o Rio Grande do Sul e no Brasil, nossa atuação defensiva fundamenta-se na consolidação do Tema 622 do STF e no Provimento 83 do CNJ. Demonstramos ao juiz que a verdade afetiva deve prevalecer no registro civil, assegurando a multiparentalidade sem gerar conflitos desnecessários com o pai biológico.
FAQ - Perguntas Frequentes
1. O pai biológico precisa concordar para que o padrasto seja incluído na certidão?
Se o pai biológico discordar, o processo tramita pela via judicial, onde o perito e o juiz avaliarão a paternidade socioafetiva com foco no melhor interesse do jovem.
2. A partir de qual idade é necessário a concordância do filho?
A partir dos 12 anos de idade, o consentimento do filho é requisito obrigatório para a concessão da paternidade socioafetiva.
3. O pai socioafetivo passa a ter obrigação de pagar pensão alimentícia?
Sim. O registro na certidão de nascimento gera deveres jurídicos recíprocos, incluindo a prestação de pensão alimentícia e assistência material.
4. O processo de paternidade socioafetiva corre em segredo de Justiça?
Sim. Todas as ações judiciais que envolvem o Direito de Família e o interesse de menores tramitam sob segredo de Justiça.
5. É possível reconhecer a paternidade socioafetiva direto no Cartório?
Para filhos maiores de 12 anos e havendo concordância de ambos os pais biológicos, o procedimento pode ser realizado via Cartório de Registro Civil.
6. Se o casal se separar no futuro, o vínculo com o pai socioafetivo se extingue?
Não. O vínculo parental formalizado judicialmente é irrevogável e definitivo, preservando os direitos e deveres de pai e filho.
7. O sobrenome do pai biológico precisa ser retirado para colocar o do padrasto?
Não. O filho pode acrescentar o sobrenome da família socioafetiva mantendo intactos os sobrenomes recebidos no nascimento.
8. Quanto tempo demora uma ação judicial de multiparentalidade?
O tempo médio varia conforme a comarca e a realização do estudo com a avaliação psicológica, durando entre 6 e 18 meses.
9. Posso dar entrada no processo se o pai biológico for falecido ou ausente?
Sim. A ausência ou o falecimento do pai biológico não impede a declaração da paternidade socioafetiva em relação ao padrasto.
10. Qual especialista procurar para formalizar a multiparentalidade?
Você deve buscar um advogado especialista em Direito de Família com experiência sólida na condução de ações de filiação e multiparentalidade.
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Artigo Escrito por:
Dr. David Jacob OAB/RS 107.013, Advogado especialista em Direito do Trabalho, Processo Civil, Direito Empresarial, Direito de Família e Sucessões, Direito do Consumidor, Direito Condominial e Direito Bancário. Dr. Roberto Ponath OAB/RS 109.507, advogado especialista em Direito Imobiliário e Urbanístico, Direito Penal, Direito de Família e Sucessões. Sócios fundadores da Martins, Jacob & Ponath – Sociedade de Advogados OAB/RS 8611, escritório reconhecido pela atuação técnica, estratégica e humanizada, sendo referência regional e avaliado com nota máxima de 5 estrelas. Rua Gomes Portinho, 17 - Sala 302, Centro, Novo Hamburgo - RS Rua Santa Catarina, 653, Bom Pastor, Igrejinha - RS 51 98200-4157





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